sexta-feira, 9 de junho de 2017

Sobre Saudade

Sobre Saudade  - por Fabricio Carpinejar


A saudade já é perdão. Sentir saudade é desculpar.

Se você vem sentindo saudade é que esqueceu, é que não guardou mágoa, é que superou o ressentimento, é que dispensou a vingança, é que resolveu por dentro, com a quietude da esperança.
A saudade é um convite irrecusável. É um apelo. É uma passeata de pássaros.

Com a saudade, você aceitou a retratação - dita ou a implícita.

Saudade revoga prazos, ordens, ditames, censuras.

Não tem como exigir mais nada, não tem como reivindicar mudanças.

É admitir a volta sem explicação. É admitir o retorno sem contrapartida.

Saudade é um golpe de estado. Abole o que foi estabelecido antes.
Saudade é se despedir do sofrimento e ficar com a lição da cicatriz.

É respeitar a imperfeição, não precisar consertá-la para seguir inteiro. É respeitar a falha, não recorrer às mentiras para corrigi-la. É respeitar a ausência, jamais ocupar a cadeira porque está vazia.

Saudade é quando morre a idealização para não morrer o amor.

Somente o orgulhoso não é capaz de sentir saudade. O orgulhoso não avança nem anda para trás. O orgulhoso senta em cima do coração.




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